Análise de Sucker Punch por Paloma Diniz

Paloma Diniz

Paloma Diniz

Sucker Punch narra a história de uma jovem que, em momentos de dor e sofrimento, vê-se desacreditada por uma sociedade machista e manipuladora. Aduteram-lhe a realidade. Batizada de Babydoll, a jovem perseguida e violentada psicologicamente por seu padrasto, surta em meio à frieza e ganância do homem que deveria proteger e zelar por ela e usa irmã. Ele, sociopata, não mede limites para atingir seus objetivos. E tranca-a num sanatório.

Em meio a sua visão perturbada, acredita ela viver presa, refém de uma casa de prostituição e de espetáculos sensuais; e na verdade, sim: ela é refém de uma casa de prostituição e de espetáculos sensuais. O administrador da clínica alicia as mulheres esquizóides mais jovens e bonitas para desfrute de homens “sãos” que deturpam e manipulam uma sociedade de “loucos”.

Para fugir da “realidade” ela entra, em determinados momentos, em processo de fuga e muito além da fuga, cai num universo apenas seu, na luta metafórica contra seus reais inimigos. Torna-se uma guerreira que luta para conquistar sua liberdade.

Sucker Punch - Babydoll

Emily Browning é Babydoll em Suker Punch

Conta o mito heróico grego de que Perseu para não perder-se no Labirinto e achar o caminho de volta, Ariadne dar-lhe um fio de prata para que ele retorne com segurança, em se perder no caminho, após a terrível batalha contra o Minotauro.

Interpretando de maneira bem sucinta: Perseu é o corpo físico, Ariadne é o plano mental, o Labirinto é o mundo, o Minotauro nossos inimigos e o fio de prata é a consciência.

Babydoll rompeu o fio de prata.

O filme de Zack Snyder é a princípio confuso, pois é contado pela ótica de uma esquizofrênica e de narrativa oscilante de linear para não linear. É preciso ficar atento aos detalhes para perceber a real história. Ele mostra e alerta sobre estados de desequilíbrios mentais extremos: da sociopatia e psicopatia pela manipulação e frieza de alguns personagens, e o oposto da esquizofrenia das cinco personagens que é a explosão de descontrole mental e das emoções.

Se este fosse narrado da ótica de um observador passivo, não seria um filme de ação, não teria uma realidade fantástica, não teria mulheres bonitas, não teria heroísmo.

Seria um filme de drama ou terror. E de terror e drama, basta assistir os telejornais sensacionalistas que passam na hora do almoço.

Sucker Punch - Babydoll Vs Giant Samurai

“Em Sucker Punch, toda a licença poética foi permitida.”

Particularmente, gostei do filme. Da sua estética iconográfica atemporal, os estereótipos clássicos, e em se tratando da visão de uma desequilibrada emocional, toda a licença poética nele foi permitida. Até guerreiro samurai atirando com metralhadora!

E prefiro os filmes heróicos, de ação e comédias. Porque a vida real já é de muita dor e sofrimento no ingressar do Labirinto cotidiano e nas batalhas diárias contra os Minotauros.

Paloma Diniz, é formada no curso de Educação Artística com habilitação em Artes Plásticas e ministra os cursos de Desenho Clássico e Desenho para HQs no Studio Made in PB, é colaboradora do FARRAZINE, e é amante das Artes, HQs, Cinema e Cultura POP.