Studio Made in PB entrevista: Guilherme Balbi

Januncio Neto

Januncio Neto

Conheci o trabalho do Guilherme através do deviantART, mais precisamente por causa de um anúncio dele que na ocasião estava necessitando de um arte-finalista para um projeto.

O trabalho de arte-final acabou não acontecendo, mas desse contato inicial tive a oportunidade de acompanhar o trabalho dele com mais regularidade.

Conferindo seus trabalhos no deviantART e Blog sempre que possível, Guilherme é o que eu posso chamar de profissional do traço, competente, dedicado e o mais importante é apaixonado por seu trabalho, sem que isso o impeça de estar sempre evoluindo.

No Facebook pude acompanhar o surgimento do projeto JackPot, seu projeto pessoal do qual iremos falar na entrevista.

Se você ainda não conhece a arte de Guilherme Balbi, essa é uma boa oportunidade para conhecer e descobrir o quanto ele é “gente fina”.

 

Guilherme Balbi

Guilherme Balbi

 

Januncio Neto: Guilherme, de onde você é, quando teve inicio sua carreia e desde quando desenha?

Guilherme Balbi: Sou mineiro da cidade de Ubá (MG) e tudo começou em 2008, quando peguei meu primeiro trabalho para o mercado americano, comecei a desenhar com mais ou menos 18-19 anos (desenhava antes, mas nada demais.)

 

JN  – Quando decidiu ser desenhista profissional?

GB  -Não me lembro bem ao certo (risos) muito tempo, mas o “estalo” rolou quando morava em Belo Horizonte e fui conhecer uma escola de quadrinhos, aquilo mudou a maneira com que eu percebia os gibis, sempre os lia desde pequeno e gostava muito, principalmente dos gibis da antiga editora EBAL, clássicos, mas até aquele momento não pensava que seria desenhista.

 

JN  – Como foi o início da carreia, quais títulos desenhou e para quais editoras você já trabalhou?

GB  – O inicio da carreira é difícil, o mercado todo é muito complicado, tem gente que dá sorte pega algo “grande” bem rápido; comecei com revistas pequenas em editoras independentes, o começo para a grande maioria dos desenhistas de quadrinhos.

Meu primeiro título profissional de chamava Death Walks: The Streets, para uma editora independente de Chigado a Scream Factory depois surgiu outra independente, um título que se chamava Surface, logo depois outro para a mesma editora o titulo se chamava Netherworld (a editora não me recordo – risos – Alzheimer danado! Mais risos), desenhei estas por muito tempo, logo depois veio Spartacus para a Devil’s Due Publishing, em seguida Predators, para a Dark Horse, onde fiquei uns 5 meses, depois fui convidado para a Image para fazer Dinamo5 mas acabou não rolando.

Depois disso me dediquei muito a melhorar meu trabalho, eu me cobro demais, depois apareceu um título pessoal para um editor da DC (segredo ainda) e hoje estou trabalhando para um título bem legal também segredo (nota do editor), mas será publicada por umas das grandes nos Estados Unidos, a história é muito boa!

 

JN  – Como é sua rotina de trabalho?

GB  – Não acordo cedo, odeio, falo isso desde o tempo de faculdade, pelas 10:00 vou a academia  assim desenho mais relaxado, começo pelas 13:00, ai não tem hora para acabar.

 

Capas de "Predators", primeiro trabalho para a Dark Horse e preview do filme de Robert Rodrigues

Capas de “Predators”, primeiro trabalho para a Dark Horse e preview do filme de Robert Rodrigues

 

JN – Você tem um estúdio ou trabalha em casa mesmo?

GB  – Casa, estúdio é perder dinheiro a não ser que você dê aulas particulares de desenho, seria bem legal ter um estúdio.

 

JN – Você trabalha sozinho ou tem algum assistente?

GB -Sozinho, assistente acho meio desnecessário no momento.

 

JN  – Em seu estilo de trabalho, o que você considera sua maior virtude e qual é seu maior desafio.

GB  – Vixi… Eu considero que tenho que melhorar e muito, muito mesmo…, vejo páginas de outros desenhistas e fico impressionado, logo sento na prancheta e me dedico, treino muito para desenhar mulheres, tenho dificuldades, mas treino 2 horas só isso todo dia a mais de um ano.

 

JN  – Você utiliza algum recurso digital? Photoshop, Tablet ou Cintiq?

GB  – Claro e sempre… , Photoshop sempre para dar um retoque, eu uso principalmente para apagar pequenos errinhos que não me agradaram e a borracha não deu conta, sempre com auxilio de uma Tablet.

 

Sketchs: 2 horas diárias de treino em busca do aprimoramento

Sketchs: 2 horas diárias de treino em busca do aprimoramento

 

JN – Qual foi o trabalho mais difícil que você já teve em sua carreira?

GB – Com certeza Predators, primeiro trabalho para uma grande editora é sempre complicado, eu tinha um traço completamente estilizado e não fazia o uso de sombras, o editor me pediu junto com o diretor Robert Rodrigues para acrescentar sombras e deixar o ambiente mais “sombrio”, passei aperto e muito, mas no final tudo saiu beleza!

 

JN  – JackPot é um projeto autoral seu? Você tem algum parceiro nesse projeto?

GB  – Sim (história, desenho, arte final, cor e balonização), e também tenho um amigo que me ajuda nas histórias o Rafael Rodrigues do Blog Uarévaa , ele é super talentoso e criativo, mas quero anexar mais pessoas, sempre é bom para este projeto, quanto mais melhor.

 

JN – Qual foi a inspiração para JackPot e qual é o seu maior desejo com este projeto?

GB  –  JackPot está ligado diretamente na minha vida por incrível que pareça, minha interpretação dos fatos para falar a verdade, estas historinhas saem do nada, este universo é maluco qualquer coisa pode ser qualquer coisa. Eu gostaria muito que isso virasse uma Graphic Novel, um tijolo de páginas, a publicação seria uma grande realização. As tirinhas existem para promover e atiçar o pessoal a conhecer a Graphic Novel, eu tenho um projeto para realizá-la em breve, junto com o Rafael.

 

 JN – De quê se trata JackPot? Qual o enredo da história?

GB – JackPot seria um mundo as avessas ,tudo está errado aqui, as coisas são estranhas em qualquer parte que você olhe, surreal, um absurdo sem noção, mas isso apenas para as pessoas que estão lendo, neste universo tudo está perfeitamente funcionando como qualquer outro lugar que nós temos referência que “funcione”.

 

Dedicação ao trabalho foi o caminho que Guilherme escolheu para se firmar no mercado

Dedicação ao trabalho foi o caminho que Guilherme escolheu para se firmar no mercado

 

JN – Quem são os personagens principais e como você desenvolveu cada um deles?

GB – Existem alguns poucos, mas ninguém vai ganhar mais foco, qualquer um pode ser o principal na sua vez, mas alguns que estou trabalhando mais são: o menino sapo-boi Gigante Charlie, o Detetive sem noção Rudolf e o mosca varejeira com cabeção Toby Colo, todos são inspirados em grandes amigos e familiares que passaram na minha vida e que ainda fazem parte dela, assim como fatos em que passamos juntos; minha homenagem a todos eles.

 

JN – O que você considera a coisa mais importante (ou legal) de ser um desenhista?

G.B – O prazer que eu tenho em desenhar e ganhar a vida com isso, com certeza

 

JackPot! "Um absurdo sem noção!"

JackPot! “Um absurdo sem noção!”

 

Você pode conhecer mais sobre Guilherme Balbi, acessando: FacebookProjeto JackPotBlog, Flickr