Análise de Conan: O Bárbaro, por Januncio Neto

Januncio Neto

Januncio Neto

Conan o cimério, foi um personagem criado por Robert E. Howard em 1932, suas histórias hoje são consideradas grandes referências da literatura de Fantasia Heroica, também conhecida como Espada & Feitiçaria (Sword and Sorcery), além de ser um clássico da literatura Pulp.

 Mas Conan se tornou mundialmente popular pelas edições publicadas pela Marvel Comics, principalmente pelo trabalho desenvolvido ao longo dos anos por Roy Thomas, John Buscena, Alfredo Alcala e Barry Windsor Smith. As publicações de Conan pela Marvel Comics tiveram seu inicio no começo dos anos 70 e terminaram em 2004.

Tanto sucesso impulsionou a produção de dois filmes nos anos 80, Conan, O Bárbaro (Conan The Barbarian) em 1982 e Conan, O Destruidor (Conan The Destroyer) em 1984. Conan foi interpretado pelo ator Arnold Schwarzenegger e os filmes foram dirigidos por John Milius e Richard Fleischer respectivamente.

 

O clássico Conan da Marvel Comics na visão dos artistas John Buscena e Joe Jusko

 

Após o termino das publicações de Conan na Marvel Comics, a editora Dark Horse Comics adquiriu os direitos para publicar as aventuras do guerreiro cimério.

Contanto com roteiros de Kurt Busiek, arte de Cary Nord e cores de Dave Stewart, é lançado o título Conan: O Cimério, contando com historias baseadas nos contos originais de Robert E. Howard, tornando-se um sucesso de público e crítica.

 

Conan: O Bárbaro 2011

Com o retorno de Conan aos quadrinhos e uma aceitação tão positiva do público, não foi surpresa alguma os comentários sobre um possível retorno do personagem ao cinema.

Conan é um personagem com uma grande quantidade de fãs ao redor do mundo (alguns até hoje órfãos dos filmes produzidos nos anos 80), então foi apenas uma questão de tempo ate que o bárbaro retornasse.

Em 16 de Setembro estreou no Brasil, Conan: O Bárbaro filme dirigido por Marcus Nispel, responsável pelo reboot da franquia Sexta-Feira 13 e que em 2007 dirigiu o filme Desbravadores (Pathfinder), que possui muitos elementos semelhantes à Conan e a Era Hiboreana.

 

 

Jason Momoa foi o ator selecionado para interpretar o jovem bárbaro nos primeiros anos de sua jornada como guerreiro. Momoa, assim como Brandon Routh (Superman Returns), recebeu inúmeras críticas por não corresponder as expectativas dos fãs mais saudosos que ansiavam ver nas telas novas versões de Arnold Schwarzenegger e Christopher Reeve respectivamente.

O filme de Marcus Nispel é claramente inspirado na nova versão de Conan publicada pela Dark Horse, então este já é um bom ponto de vista para ser levado em consideração para avaliar o filme.

Diferente do clássico de John Milius, o filme de Nispel tem uma introdução muito mais consistente sobre a infância de Conan e como é a filosofia que torna povo cimério único na Era Hiboriana.

Iniciar um jogo de comparações e opiniões sobre os dois filmes pode se tornar tanto um ótimo exercício de observação, como também uma completa e inútil perda de tempo.

O começo do filme é muito bom, e nos apresenta um mundo brutal aonde apenas um personagem como Conan poderia existir. O ator Leo Howard, interpreta o jovem Conan numa das seqüências mais emocionantes e violentas do filme. Howard consegue dar ao personagem uma consistência muito interessante, demonstrando bem sentimentos como a ansiedade, imaturidade, raiva e melancolia (uma das características mais interessantes que Robert E. Howard colocou no personagem).

Ron Perlman (Hellboy) interpreta Corin, pai de Conan e líder tribal dos cimérios, realizando seu papel com bastante segurança e sendo fundamental para a formação do caráter do seu filho.

Jason Momoa representa bem o personagem, tomando como referência o material editado pela Dark Horse, ele se assemelha muito aos conceitos criados por Cary Nord e Kurt Busiek.

Confesso não ter competência para opinar sobre sua atuação até por não conhecer (ainda) o trabalho de Momoa em Game of Thrones, onde interpreta Khal Drogo, mas acredito que ele tenha cumprido bem o seu propósito, até por que em 1982 não é possível considerar a atuação de Arnold Schwarzenegger um primor.

A nova produção possui algumas falhas de direção e para alguns o roteiro seja simplista demais, calcado apenas na violência e em formulas já vistas. Porém o que devemos esperar de um filme baseado em uma HQ sobre um bárbaro? Combates violentos, belas mulheres, vilões megalomaníacos em busca de poder, magia negra e monstros?

Então é exatamente isto que você irá encontrar em maior ou menor grau no filme, mas julgar a competência da direção, produção e elenco é algo que apenas você pode fazer e tirar suas próprias conclusões.

 

Ilustrações de Greg Ruth, para a série “Conan: Born on the Battlefield” da Dark Horse

 

Conan é um filme simples de se assistir, é uma aventura direta sem muitas firulas e em alguns momentos até previsível, porém é um bom filme se você deseja apenas passar um tempo apreciando uma boa diversão, acompanhado de pipoca e refrigerante.

Ao longo dos anos algumas pessoas esqueceram que certos filmes só precisavam disto para serem legais e divertidos de se ver.

Espero que Conan: O Bárbaro tenha êxito o suficiente que justifique uma continuação e que possa ter um filme mais elaborado que valorize ainda mais os conceitos de Robert E. Howard, para a alegria dos fãs do personagem.

Se você deseja conhecer a evolução do personagem Conan ao longo dos anos, dos livros Pulps até os dias de hoje confiram o artigo Conan Through the Years publicado no blog Drak Worlds.

 

 

 

 

Januncio Neto é fã e colecionador de HQs começou a ler a Espada Selvagem de Conan em 1985 e continua aguardando que alguma editora brasileira tenha coragem de lançar no Brasil as versões encadernadas da “Savage Sword of Conan” lançados pela Dark Horse.