Bat-Madame: as pirações de uma heroína muito louca.

Bat-Madame, criação de Anco Márcio (texto) e Luzardo Alves (desenhos), surgiu dentro do jornal nanico paraibano Edição Extra, semanário editado em João Pessoa em offset do estado, que circulou entre 2 de agosto e 17 de outubro de 1971. Apesar de já fazer charges e cartuns há alguns anos, não havia Luzardo a preocupação de fazer quadrinhos. A idéia surgiu com Anco, na redação do jornal. Anco vinha do meio teatral, onde já exercitava sua veia humorística, daí foi só juntar suas piadas ao traço caricatural de Luzardo para surgir Bat-Madame, uma personagem tresloucada que ironizava os melindres da sociedade paraibana.

O deboche começava pela própria personagem, que era uma visão escrachada de Batman. Bat-Madame trouxe ares inovadores aos quadrinhos paraibanos. O traço pouco convencional de Luzardo era reforçado pelo modo informal de fazer contornos dos quadros. Não havia limite estrutural para a personagem. Ela chegava muitas vezes a interromper o argumento da história, afastar uma das hastes do quadro e se dirigir ao leitor, o que era pouco usual nos quadrinhos.

Bat-Madame era o melhor retrato da linha editorial do Edição Extra. O fato de o jornal ser alternativo, numa estrutura em que só existiam as grandes empresas, já lhe dava uma importância fora do comum. Na realidade, o Edição Extra era um jornal fora do comum. Inspirado em O Pasquim, maior renovador da imprensa brasileira nas últimas décadas, Edição Extra assinalava muito bem o senso crítico e humorístico desse semanário carioca, focalizando os acontecimentos políticos e sociais do estado.

No Edição Extra, além de Bat-Madame, foi publicado O Paraíso visto por Luzardo, série com histórias irreverentes sobre a criação da humanidade.

Texto extraído do livro O Humor Gráfico de Luzardo Alves, Editora Marca de Fantasia, 2003.

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Henrique Magalhães