Bruce Timm: Um artista apaixonado por super-heróis que mudou o cenário da animação norte-americana

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Se você perguntar a toda uma geração de fãs de desenhos animados qual seria seu modelo básico de Batman ou Superman, existe uma boa chance de que a imagem projetada nas mentes de muitos pareça bastante com um desenho de Bruce Timm. O mesmo vale para a Mulher-Maravilha, Mulher-Gavião, Harley Quinn, Flash, Caçador de Marte, Robin, Batgirl, Lois Lane e dezenas de outros personagens da DC.

 

Timm, nascido em 8 de fevereiro de 1961, fez sua carreira na animação co-criando Batman: The Animated Series, Batman do Futuro (Batman Beyond), Superman: The Animated Series, Liga da Justiça e Liga da Justiça: Sem Limites (Justice League Unlimited), entre outras séries de animação, mas ele indiscutivelmente teve tanta importância para o universo dos super-heróis como qualquer quadrinista vivo.

 

Logo no início de sua carreira, quando ele estava fazendo layouts e backgrounds para animações, incluindo He-Man e os Mestres do Universo, She-Ra, Flash Gordon e G. I. Joe, Timm tentou encontrar trabalho como artista tanto na DC Comics como na Marvel, mas teve pouca sorte. Timm não tinha educação formal para a arte; em vez disso, ele simplesmente tinha um amor por artistas como Jack Kirby, Wally Wood, e Alex Toth. Ele também amava os cartoons de Max Fleischer do Superman nos anos 40, com o visual que influenciou profundamente os desenhos animados de Batman e Superman que ele iria co-criar.

 

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Harley Quinn de “namorada” do Coringa a ícone da Cultura Pop mundial

 

Em entrevista à revista Comic Book Artist, Timm disse que era inicialmente um fã de artistas com um estilo mais realista, como Gene Colan e Neal Adams, mas ele finalmente deu a volta para estilos mais parecido com aquele para o qual ele é conhecido.

 

“Eu não era louco por Kirby, eu não era louco por Alex Toth. Eu chegava a olhar para Toth e pensar: “Meu Deus, este material parece coisa de criança! É como um livrinho para colorir, são desenhos tão simples!”, Mas eu sempre voltava pra eles, olhando e dizendo: “Se eu não gosto disso, por que eu continuo olhando para eles”?

 

Em 1989, Timm fez um trabalho na Warner Bros., onde fez storyboards e desenhou personagens para Tiny Toon Adventures. Ele também recebeu alguns créditos pelo roteiro. Dois anos mais tarde, ele e Eric Radomski (mais um artista envolvido com os Tiny Toons), co-criaram Batman: The Animated Series.

 

Timm iria continuar a trabalhar em outras animações da Warner Bros., fazendo design para Animaniacs e Freakazoid, por exemplo, mas Batman consolidou seu papel como a força condutora do que iria se tornaria conhecido como o DC Animated Universe, que ele iria supervisionar por mais de duas décadas.

 

Sua marca indelével está em praticamente todos os projetos de animação envolvendo personagens da DC criados entre 1992 e 2013, e ele mesmo apareceu em alguns deles. Ele apareceu como um cantor em The New Batman Adventures, era um prisioneiro em Arkham Asylum em The Batman, e foi um cosplayer do Coringa em Batman: Os Bravos e os Destemidos (Batman: The Brave and the Bold). Ele também dublou alguns personagens: o líder da quadrilha Jokerz em Batman do Futuro e o dono de uma loja de brinquedos em Batman: The Animated Series.

 

Timm aproveitou seu sucesso na animação para fazer o trabalho que ele tinha tentado fazer anos antes: desenhar quadrinhos. Ele e o escritor Paul Dini ganharam um Eisner para a edição de 1994 de Batman Adventures com o título “Mad Love”. Timm desenhou em 1999 Avengers #1.5, uma edição especial para a Marvel, trabalhando com o escritor Roger Stern. Ele disse ao Comic Book Artist que ele tentou desenhar no estilo de Kirby para a edição. Ele desenhou também algumas outras histórias curtas para Conan, Birds of Prey, e o título de horror Flinch. Ele também co-criou o personagem super-herói de Conan O’Brien, “The Flaming C”.

 

Em 2013, Timm anunciou que estava deixando o cargo de produtor supervisor de projetos de animação da DC para trabalhar em projetos de sua própria autoria. Em 2014, ele dirigiu o curta animado Batman “Strange Days” para contribuir com o 75º aniversário do personagem. Estranhamente o frase que encerra a animação parece direcionada aos fãs, soando mais como um “até breve” do que um “adeus”.

 

 

Embora sua carreira como desenhista de HQs tenha sido limitada – mas, novamente, não por causa de falta de vontade – a influência de Bruce Timm no mundo dos quadrinhos de super-heróis esta presente em cada homenagem nas várias séries de animação em que trabalhou, onde desejos e expectativas de muitos jovens telespectadores sobre aqueles heróis tornaram-se uma realidade. Timm lutou contra a censura para mostras um trabalho que tivesse um impacto real sobre os espectadores, dizendo-lhes: “Olha, nós não estamos tentando destruir as crianças de América, nós só queremos fazer bons desenhos animados”.

 

Muito obrigado por tudo isso, Bruce.

 

FONTE: ComicsAlliance

TRADUÇÃO: Jonathas Pessoa